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Paixão por cozinha: realities culinários caem no gosto dos brasileiros, aponta pesquisa

Atualizado em 16/04/2018

Segundo levantamento, a gastronomia apresentada nesses programas influencia, inclusive, na alimentação dos telespectadores

A moda dos realities chegou às cozinhas brasileiras há algum tempo e o sucesso de audiência apresenta o resultado desse universo que, antes, era explorado com maior afinco somente por canais à cabo. Na TV aberta os quadros culinários, que costumavam ser voltados apenas às donas de casa em busca de inovação, deram lugar a programas que acontecem, literalmente, entre receitas e panelas e conquistam um público muito mais amplo.

Mas não é só isso que desperta a atenção dos brasileiros, a combinação de ingredientes como: o gosto pela boa comida, as dicas de profissionais para requintar o cardápio doméstico e a disputa entre personalidades diferentes formam a receita de sucesso desse novo formato. E não para por aí, pois uma pesquisa especializada revela que as dicas, técnicas e receitas já não ficam só na telinha: a maioria dos telespectadores costuma aplicar no dia a dia os ensinamentos dos chefes e, os mais ousados, ainda se arriscam a replicar algum prato. Isso sem falar nos ingredientes que aparecem em cardápios de dar água na boca e chamam a atenção dos admiradores da boa gastronomia, que logo saem à procura da iguaria para incrementar suas receitas.

Mas, a melhor notícia é que, segundo especialistas, esses programas podem oferecer, além de entretenimento, práticas favoráveis à saúde, já que promovem o uso de ingredientes naturais e a culinária caseira.

Segmento em ascensão

O interesse pela gastronomia vem aumentando e, consequentemente, impactando o dia a dia dos brasileiros. É o que comprova o estudo exclusivo, realizado pela Banca do Ramon, um dos empórios mais tradicionais do Mercado Municipal de São Paulo, que ouviu 1.360 consumidores a fim de obter uma perspectiva da relação dos brasileiros com a alimentação e seus hábitos de consumo.

A pesquisa “Do essencial ao Gourmet – O que os brasileiros pensam sobre alimentação saudável e produtos premium”, revela que mais de 70% dos entrevistados costumam acompanhar realities/talent shows culinários, e o motivo? A paixão pela culinária (55%). Além disso, 7,8% alega ter se interessado mais pelo tema após conhecer essas atrações.

Ainda de acordo com a pesquisa, esse segmento televisivo exerce grande influência sobre os participantes. Quase dois terços dos consumidores afirmam já ter tentado reproduzir alguma receita em casa ou, até mesmo, ter ido atrás de algum ingrediente exótico mostrado no programa. Esses resultados fazem do gênero um investimento atraente para a publicidade, prova disso é que só na primeira metade do ano passado esse seguimento movimentou mais de R$ 839 milhões na venda de espaços publicitários, entre TV aberta, TV paga e merchandising.

Sucesso de audiência 

Dados de um levantamento do Target Group Index, solução da Kantar IBOPE Media, mostram que, no mesmo período, foram transmitidos 47 programas diferentes de reality shows culinários pela TV brasileira. Quase 39 milhões de indivíduos consumiram ao menos 1 minuto desse conteúdo, o que representa 56% da população que possui TV em casa no país. A febre de programas que têm a cozinha como cenário conquistou telespectadores em todo o mundo, mas não parou por aí.

Além dos espaços televisivos, os programas culinários têm alcançado outro tipo de público: os internautas. O mesmo relatório destacou que o engajamento online, através dos conteúdos midiáticos produzidos para os programas culinários, resultou em mais de 300 milhões de interações no ambiente virtual. Além disso foi possível verificar um alto índice de aprovação, por parte dos internautas, tanto aos programas, como para os competidores e às celebridades que participam.

A valorização dos ingredientes

Mas o impacto dos programas desse gênero vai muito mais além do espaço publicitário e a internet: eles podem influenciar de forma positiva nos hábitos alimentares e, consequentemente, na saúde das pessoas, afirmam os especialistas. Para a nutricionista Juliana Tomandl, consultora da Banca do Ramon, um dos pontos mais positivos é que os programas culinários incentivam o uso de alimentos naturais e um consumo consciente: “Eles são capazes de promover uma retomada de atenção sobre o processo de cozinhar e se alimentar, deixando evidente o papel da culinária como parte cotidiana e necessária da vida de todos nós, e promovendo uma reflexão sobre o que estamos consumindo”.

Segundo a nutricionista isso fica claro em vários momentos, especialmente quando há uma conscientização sobre o desperdício de alimentos e um incentivo ao reaproveitamento. “Além disso, nesses programas os temperos industrializados e cheios de sódio dão lugar a ervas e especiarias naturais que despertam a curiosidade dos telespectadores que, muitas vezes, nem conhecem o ingrediente. E também o uso de gorduras boas, como a preferência por azeites e manteigas em substituição ao óleo de soja e a margarina. É possível notar ainda um consumo maior de peixes, um alimento tão benéfico que ainda não conquistou o espaço merecido na mesa dos brasileiros” – explica Tomandl.

Do mais simples ao gourmet

Outra vantagem que pode ser extraída dos realities culinários é referente aos ingredientes que os chefes chamam de “protagonistas” do prato. Muitas vezes, para a surpresa de muitos, esses elementos principais tratam-se de ingredientes simples do dia a dia, facilmente encontrados na geladeira. Até um ovo pode ser a “estrela” do cardápio, basta saber prepara-lo adequadamente, e esse é justamente o maior desafio para os competidores e a diversão de quem assiste: além de se entreter com os perrengues que participantes enfrentam, o público ainda pode se sentir instigado a testar seus talentos à beira do fogão, aproveitando as dicas dos especialistas.

Mãos à obra

Nada de industrializados ou, pelo menos, o mínimo possível. Essa é uma das premissas básicas nas disputas culinárias. Os competidores, geralmente, preparam todos os ingredientes que compõem o prato para demonstrar suas habilidades e realçar o sabor: “Ao invés de usar um pacote de massa pronta para lasanha ou macarrão, eles fazem a própria massa, fazem também o molho, com tomates de verdade, fazem a massa da torta, do bolo, os hambúrgueres, enfim, há um estimulo do preparo caseiro e, em tempos de comidas industrializadas, isso é muito necessário. Uma preparação caseira é muito mais saudável do que aquela comprada congelada, por exemplo. Não só pelo sabor, mas, especialmente, pela pre servação dos nutrientes. Além disso, evita todos aqueles conservantes e aditivos químicos e a saúde agradece” – afirma a nutricionista.

Principais atrações

Esses realities – ou talent shows como algumas emissoras preferem chamar –, já são inúmeros. Somente no canal pago GNT há mais de dez programas, entre as produções próprias e compradas, mas o gênero vem crescendo mais ainda na TV aberta. O MasterChef Brasil, exibido pela Band desde 2014, é, certamente, o mais popular na grade televisiva brasileira. A franquia original estreou em 1990, no Reino Unido e, atualmente, o formato é exibido em pelo menos 145 países. Mas, de olho neste segmento, outras emissoras também investiram no formato e há na telinha brasileira programas de bastante sucesso como: Batalha dos Confeiteiros e Batalha dos Cozinheiros na RecordTV, Pesadelo na Cozinha na Band, BBQ Brasil - Churrasco na Brasa, Cozinha sob pressão e Bake Off Brasil no SBT, entre vários outros.



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