Entrevistas


Flávio Pedro

Líder de uma equipe formada por profissionais de várias áreas relacionadas à gastronomia

Atualizado em 19/05/2017

1. Conte um pouco da sua experiência.

Cozinheiro formado pelo instituto SENAC. Com bastante vontade de aprender, assim que acabei minha formação, decidi fazer mais em mais alguns cursos, como o de churrasqueiro, mestre churrasqueiro, azeitologo, diversos workshops e cursos rápidos, para adquirir conhecimento. Passei por um ou outro hotel, como por exemplo, o Royal Tulip de São Conrado. Depois de um tempo e já me sentindo seguro, eu fui trabalhar de verdade. Passei de novo pelo Royal, Palato Gourmand junto a Chef Flávia Quaresma, Benedictine do Chef Marcílio Araújo e sempre me destacando, até pelo meu conhecimento prévio em outras questões. Comecei a faculdade de Gastronomia para ganhar mais experiência. Só depois resolvi abrir uma empresa de eventos, ela se chamava Fraternidade Gourmet e lá eu tive a minha primeira equipe. Hoje divido meu tempo entre a Inteligência em Gastronomia - forma pela qual gosto de chamar a minha consultoria - e com eventos do tipo Chef em Casa.

2. Qual o principal ingrediente que não pode faltar na sua cozinha?

São dois: Amor e respeito. Eu costumo dizer a todos que passam pelas minhas cozinhas que se temos respeito pelo alimento e amor pelo que fazemos, podem nos trazer pedras e faremos uma saborosa sopa. Minha cozinha é bem regional, sou apaixonado pela cozinha de boteco, amo feijoada, torresmo e sanduíche de carne desfiada, mas por imposição da profissão de cozinheiro eu sou capaz de reproduzir qualquer ficha técnica de qualquer lugar do mundo, me dê uma proteína, uma mala de temperos e um quintal para eu recolher algumas folhas: Eu vou criar um belo e saboroso prato.

3. Fale um pouco sobre os cursos “Curso para maridos” e “Chef em casa”.

A ideia de dar aulas de gastronomia veio a pedido das minhas clientes. Começamos com a Risoteria, uma aula divertida em que eu ensinava fazer 3 a 4 tipos de risotos, inclusive o risoto doce. Deu tão certo que acabei criando, por sugestão de uma amiga, o curso para maridos, afinal, muitas mulheres se queixam de um marido que cozinha mal, e muitos maridos querem aprender a fazer uma média na cozinha, ainda mais se tiver cerveja. Já o Chef em casa é a paixão, adoro cozinhar para grupos pequenos, posso ir à mesa e ver nos olhares a satisfação de comer o que cozinho, é diferente de trabalhar em um restaurante ou hotel em que raramente temos contato com os clientes. No serviço de chef em casa e suas variações (private chef, personal chef, chef on board) eu vou até a casa do cliente com um ou dois ajudantes, uso a cozinha e panelas dele e preparo algo fantástico para os convidados. Entradas, principais, sobremesas, tudo, no final deixamos tudo limpo e organizado, o cliente passa a ser convidado e eles adoram não ter que sair de casa, filas, engarrafamentos, violência e muitas vezes ainda fazemos as compras, levamos pratos, taças e tudo que o cliente pedir.

4. Como é a demanda de procura para esses cursos? O que a pessoa precisa fazer para participar?

Todos os dias eu tenho uma ou duas dezenas de e-mails e mensagens questionando detalhes, preços, datas etc. Basicamente não tenho pré-requisitos, cada curso atinge um público, por exemplo, o curso de maridos recebe qualquer pessoa que tenha o interesse em impressionar o seu par com aquele jantar de restaurante. O curso é bastante procurado pelos os homens que desejam fazer um jantar para suas companheiras e também para as mulheres que necessitam de uma ajuda na criatividade e dar uma mudança no cardápio. Nas férias também temos cursos para o público jovem de 08 a 16 anos em que ensino como fazer hambúrguer, massa de pizza etc. Para ter acesso a esses cursos e só acessar ao site flaviopedro.com.br, lá vai ter as opções desejadas e como fazer a inscrição.

5. Como é a sua relação com a sua equipe? 

Eu cobro o tempo todo que as praças sejam mantidas organizadas, que ninguém deixe nada cair no chão e se deixar que limpe com brevidade, e para finalizar um prato somente do jeito que eu definir, geralmente eu faço um e deixo que seja reproduzido, isso quando não faço tudo sozinho. Quando chamo a atenção de alguém eu faço isso com autoridade e respeito, faço que a pessoa compreenda o motivo de estar sendo chamada atenção, sou aquele pai chato que dá lições de vida, conta causos etc. 

6. Existe algum prato que você goste mais de cozinhar? Por quê?

Feijoada. Eu não saberia explicar o motivo, mas eu trato cada ingrediente como se fosse uma preciosidade, e vou montando tudo até eu entender que está perfeito. Também sou apaixonado por risotos e churrascos, mas a feijoada ganha de longe, vocês precisam experimentar.

7. Como você vê o cenário da Gastronomia hoje no Brasil? Pra você, ainda falta alguma coisa?

Em minha opinião, qualquer um, antes de se dizer chef precisa ser cozinheiro, precisa respeitar o alimento, a terra e a profissão, digo de verdade e não apenas nas redes sociais ou televisão. Cozinhar é amar, e eu não vejo nenhuma forma de você ser bom no que faz sem amar. Por fim, falta amor à gastronomia, menos egos inflados e falta criatividade. Adoro cozinhar com pessoas mais velhas, sempre aprendo muito, e inclusive eu decidi virar cozinheiro em 1997, quando presenciei a famosa Dona Zica cozinhando de perto, foi uma das maiores experiências da minha vida.

8. Tem vontade de ter um restaurante?

Não. Cada um no seu quadrado. Vejo gente por aí fazendo tanta coisa que no fim faz tudo pela metade. Eu sou um excelente administrador, um excelente cozinheiro, mas eu preciso de alguém para cuidar da minha imagem - meu marketing pessoal é péssimo - e do meu dinheiro - eu esqueço de cobrar, tenho pena, dou descontos etc - ao abrir um restaurante, precisaria de alguém para administra-lo totalmente para que eu pudesse fazer o que amo, cozinhar, e precisaria ser um sócio, é tão difícil confiar em alguém. Eu também tenho dúvidas se empreender neste cenário político e econômico que vivemos é algo saudável. Nestes últimos dois anos vi muita gente boa fechar as portas, eu não gostaria de passar por isso, quem sabe no futuro. 


Veja a(s) receita(s) do Chef:








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