Cachaça


A Rota da Cachaça no Estado do Rio de Janeiro

Com alambiques com mais de 200 anos de atividade, encontramos culturas, hábitos e tradições pertencentes aos nossos antepassados.

Atualizado em 01/07/2015

Sempre que sento para escrever uma matéria, tenho ao fundo de minha mente a preocupação de escrever algo relevante. O que venho pensando ultimamente é, que quando partimos, o que levamos conosco são nossas experiências. O que construímos de relacionamentos, nossas sensações, impressões, aprendizados e evolução... Colocando tudo isso em perspectiva, atribuí muito valor em viajar. Portanto quis escrever um artigo que unisse a experiência do paladar, as viagens da mente e os passeios pelo território brasileiro para dar sentido ao tempo que passamos por aqui.

No Rio de Janeiro, o que vem movendo os turistas pelo interior do estado é a cachaça. Segundo a revista Veja, existem setenta produtores de aguardente cadastrados na Rota da Cachaça. Esses estão situados em fazendas, vilas, municípios bucólicos, particularmente na costa verde, no litoral oeste. Se fôssemos embarcar nessa viagem, encontraríamos algumas das melhores coisas que essa vida tem a oferecer.

Com alambiques com mais de 200 anos de atividade, encontramos culturas, hábitos e tradições pertencentes aos nossos antepassados. Expostos a isso, podemos nos enxergar com outros olhos e nos compreender de outras formas. Além de saborear de receitas centenárias, aprimorada durante os anos.

Na região do Vale do Café, no sul fluminense, por exemplo, marcas premiadas envelhecem em barris de carvalho. Já que o inverno já chegou, de repente seria interessante considerar o interior como destino. Curtir o frio, conhecer novos lugares e tomar cachaça pode ser um combo poderoso para incluir no currículo de nossas vidas.

Em Nova Friburgo, cidade conhecida por produtos mais baratos, vendidos a preço de fábrica, encontramos a tradicional Nega Fulô – aliás, variedade é o que não falta. O estado está bombando na produção artesanal de pinga. Vale a pena citar a cachaça Maria Izabel, feita perto de Parati, na região de Corumbê. Lá em um sítio familiar se produz a bebida que foi elaborada há 3 gerações. A família investiu na paixão e hoje organiza tours para os interessados conhecerem o processo de fabricação. À disposição dos turistas, existem alambiques de cobre, toneis de jequitibá e carvalho e um tour pela área rural. A melhor parte é a degustação das diferentes cachaças de diferentes tonalidades, entre elas a azulada, que têm folhas de tangerinas processadas na destilação.

Ademais, em Quissamã, a cachaçaria São Miguel enalteceu suas cachaças com tours históricos que contam nossa história de país colonizado através da bebida. A forte produção canavieira do século XVII manteve-se até hoje na região e resultou na feitura de aguardentes cujas graduações alcoólicas variam entre 38 e 48%.  O herdeiro dessa receita conta que os passeios guiados surgiram da demanda dos curiosos.

Quem julgou que cachaça é um prazer de hedonistas pode não entender bem de nosso caminho pela vida. O prazer é válido quando dele, podemos trazer entendimento melhor sobre nós mesmos. Viajando, conhecendo e nos colocando na posição de aluno poderemos ganhar essa vantagem. Por isso sugiro que se forem pensar em cachaça, por que não aliá-la a uma viagem cultural?



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