Clube do Vinho


Acabar com uma nota doce

Acrescentar uma sobremesa após uma bela refeição só deixa as coisas mais doces. Juntá-la com um bom vinho, então, torna tudo esplendoroso.

Atualizado em 01/07/2015

Aprendi algumas coisas durante os anos. Nas aulas de ciências, aprendi que não se deve fazer nenhum experimento sem a devida proteção. Nas aulas de literatura, fui aconselhada a sempre rever os meus textos. Em educação física, aprendi a nunca subestimar o poder do alongamento. E no empreendedorismo, vi que tudo pode ser feito da maneira correta, mas se deixar um gosto amargo na hora de partir, o negócio não é fechado. Vi que o último aprendizado servia, sobretudo, nas horas das refeições. Acrescentar uma sobremesa após uma bela refeição só deixa as coisas mais doces. Juntá-la com um bom vinho, então, torna tudo esplendoroso.

Por isso, o Gastromania buscou aconselhá-los na direção certa. Se for comer sobremesa, faça corretamente. O mais básico dos princípios, segundo especialistas, é harmonizar os doces com vinhos tão doces quanto a sobremesa. A lógica serve para que um não sobreponha o outro. Contanto que sigam essa linha, o resultado será positivo. Abaixo, escolhemos alguns dos doces favoritos dos brasileiros e os juntamos com os mais tradicionais vinhos portugueses.

O brigadeiro, ou negrinho, como é conhecido no sul, tomam espaços diferentes na gastronomia. Podem ser encontrados em festinhas de crianças, enrolados em chocolate granulado, ou tomar uma forma mais gourmet, servido em uma colher. De qualquer maneira, a característica mais marcante desse doce é o chocolate. Nesse quesito, os sommeliers não divergem. Quando a sobremesa consiste de chocolate, ela pede um vinho do Porto. O fato do brigadeiro ser cremoso, vamos além, devemos harmonizá-lo com um vinho de alta cremosidade. Sugerimos o Porto Tawny 10 anos. O bordô aquece o paladar e nos dá a impressão de que há um recheio quente dentro do brigadeiro, que explode dentro de nossas bocas como lava. Hmmmm.

Outra sobremesa igualmente popular é o romeu e julieta – a goiabada com queijo. No caso de uma sobremesa servida com um queijo mais curado, indicamos um Moscatel de Setúbal, de doçura e untuosidade semelhante à textura da goiabada. Serve também às goiabadas tipo cascão, que harmonizam bem sua acidez com o Moscatel, particularmente o Roxo.

O quindim parece ser um enigma aos grandes mestres. Mas, jamais desistiremos diante de desafios. Procuramos duas alternativas distintas. A primeira, mais robusta, é fazer uma dupla do doce com um Porto Ruby. A outra alternativa, é trazer o Porto Branco, dificilmente usada para sobremesas, mas que pode funcionar, já que o frescor dele pode ser um bom aliado à oleosidade dos ovos.

Faremos o contrário agora. Caso tenham uma boa garrafa de vinho da Ilha Madeira, os de uva Bual, por exemplo, aconselharemos a optar por serví-lo com um doce de leite ou com um chocolate bastante cremoso. A riqueza dos elementos virá à tona a cada colherada e gole. Não imagino um jeito mais delicioso para fechar uma refeição com chave de ouro. Bon apetit!



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